(...) E que a solidão seja um nada. O cisco, uma pluma, o fiapo de alguma coisa que se esqueceu de tirar mas que depois logo se tira – um suspiro. Que a solidão seja a hora clara, evidente, a hora sagrada-viva, de uma compreensão ativa, saborosa e sensual.
Que a solidão seja a última velinha acesa e o bolo. Devore-a ou assopre de novo, que passa.
Que a solidão seja só uma casinha azul-clara, cada vez menos visível da janela de um avião imaginável em que passeio.
Que a solidão seja o salto que acreditou voar (...)
Bruna Caram - Que a solidão seja
