Deixo a vida me despedaçar em sorrisos, lágrimas, abraços, partidas, esperas, chegadas, esperanças renascidas.
Sou retalho alinhavado pela poesia.


Renata Fagundes


"... sejamos delicados e se necessário for, cruelmente delicados..." Affonso Romano de Sant'Anna









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31 de maio de 2011

Surtos




Tem um tempo que já não danço
- ensaio conforme a música
Não lembro de ter ficado de porre
- mas já embriaguei de encantos
Nunca fiz uma arruaça
- exceto trancada no quarto

E adoro todos os surtos
- mesmo os lúcidos


Cláudia Letti




14 de janeiro de 2011

Comendo com os olhos




"Espia…

Na fresta do que não digo,
onde moram meus amores
No rasgo do meu sorriso,
onde nascem meus humores
Na fenda do meu vestido,
onde resistem meus pudores
Nas brechas do dia-a-dia,
de onde brota essa energia
Espia…
e me delicia"

  Cláudia Letti






21 de dezembro de 2010

Me lambuzando de vida





"Tenho fome de música, de ritmos, instrumentos num tom abaixo da letra que me fala.

Tenho fome de sol quando chove demais, cheiro de terra molhada quando o sol castiga.

Tenho fome de fruta mordida quando me sinto doce, goiabada com queijo quando salgo o dia.

Fome de espanto, de passos de dança e de água na boca."

Cláudia Letti





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7 de dezembro de 2010

Guarda




(...)Ele lhe perguntou o que fazia com o que sentia por ela.
“Guarda”, ela respondeu, com a simplicidade de quem sabe que estas coisas, quando simplesmente existem, não precisam de um alojamento, um lugar, um espaço definido.

Guarda, ela lhe disse, na esperança de que ele levasse seu conselho ao pé da letra, esperando ganhar tempo para encontrar o guardado mais tarde quando tudo fosse possível.

Onde?  E ela, sem querer saber de pedir, sem querer entender de sofrer, sem querer explicar que o que sentia por ele estava guardado, intenso, represado e inflamável, disse simplesmente: “se não tem espaço, joga fora”.

E nessa hora lembrou de Leminski:

Coração para cima - escrito embaixo: frágil (...)


Livro: Onde não se Responde
De: Cláudia Letti